Arquivo para olhos

Por água abaixo

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2/dezembro/2013 by Ernesto de Souza

Ainda descalça, ela caminhou até a porta.

Ainda deitado, ele a observava.

Ela parou na porta e ajeitou o vestido.

Ele levantou, caminhou até ela, aguardou ela recolocar seus sapatos de salto alto.

Agora na mesma altura se beijaram.

Agora era o apartamento dele que estava cheio de lembranças.

Caminhou por entre os cômodos, refazendo os passos dela.

Chegou ao banheiro e reparou na pia dois fios de cabelo.

O menor era escuro, e o mais longo loiro.

Abriu a torneira, lavou o rosto.

E ao abrir os olhos ainda conseguiu ver os dois fios de cabelos se entrelaçarem como seus corpos minutos antes, e descerem juntos pelo ralo.

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Respire

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21/outubro/2013 by Ernesto de Souza

Respire.

Conte até dez e respire.

O ar entre nos pulmões, ar puro de verdade.

O coração aos poucos começa e descer para o peito.

Seu lugar é ai e não em minha garganta.

Os batimentos cardíacos se normalizam.

Se desligue.

Você está sozinho, mas esta não é sua caverna.

Um dia de cada vez, respire.

Consegue sentir o sangue fluindo?

Você esta vivo.

Isso não parece ser suficiente.

Espere, algo está diferente.

O ar, o ar já não é tão puro.

Os pulmões ardem, o coração volta para a garganta.

O ar está impregnado por aquele perfume.

Aquele cheiro é único.

Achei que nunca mais o sentiria tão perto.

Procurar ou se esquivar?

Não é preciso, ela caminha em sua direção.

Um abraço. Bom te ver.

Como você está?

Imóvel ele não responde.

Terra chamando.

Oi?

Onde estava?

Perdido em seus olhos.

Bobo.

Você continua linda.

Pare.

Tem coisas que não mudam.

Pois é, mas tenho que ir.

Apareça mais vezes, não deixe por conta do destino.

A gente se fala.

Posso te ligar?

Sempre.

Posted in Devaneios with tags , , , , , , , , , , , , , , on 1/outubro/2013 by Ernesto de Souza

Aproveitou o momento, pediu uma caneta emprestada. Ela abriu o estojo de maquiagem e pegou um lápis.

De olho?

O lápis de olho e os guardanapos servirão.

Lembrar de nunca passar a limpo.

Jumanji

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20/setembro/2013 by Ernesto de Souza

A música era boa, mas não vencia o volume dos risos das pessoas que queriam aparecer.

Jogue os dados.

Por entre as pessoas um par de olhos ilumina o caminho, ao lado uma cadeira vazia.

Avance cinco casas.

Sentou, pediu uma bebida.

Avance uma casa.

Aproximou-se e elogiou sua beleza, ela sorriu balançando a cabeça negativamente.

Volte duas casas.

Assopre os dados antes de jogar.

Se me conceder está dança te pago uma bebida. Não é chantagem, é proposta.

Avance três casas.

Durante a dança, sussurrou no ouvido dela o desejo de beijá-la.

Antes de responder a música acabou, trocaram de par.

Passe a vez.

Tentou não perdê-lá de vista por entre os casais rodando.

Volte duas casas.

Voltou para o balcão do bar, onde as bebidas esperavam.

Dado viciado.

Ela voltou, mas não sentou. Disse estar de saída, levou com ela a bebida.

Perde tudo.

Ele observa em cima do balcão, um guardanapo com um telefone.

Continue…

Minha Cúmplice, Minha Irmã, Minha Amante.

Posted in Citações with tags , , , , on 3/outubro/2012 by Ernesto de Souza

“E eu que ri quando te espiei
cantarolando em frente ao espelho
a menina mais bonita
com quem eu já feri meus ingênuos olhos provincianos.”

Jair Naves

O Sorriso dos Olhos.

Posted in Poesia with tags , , , , on 3/setembro/2011 by Ernesto de Souza
Ficamos sozinhos, então me aproximei e encostei minha testa na dela. Envolvi a minha mão esquerda em sua cintura e a puxei levemente para encostar seu corpo no meu. Com a mão direita, tirei seu cabelo do rosto e parei a minha mão na sua nuca, delicadamente segurando seus cabelos direcionei sua boca em direção a minha e encostei meus lábios nos seus. Suavemente com a minha língua fui abrindo espaço, procurando a sua. Com a mão esquerda apertei levemente seu quadril e depois de alguns segundos descolei nossos lábios e olhei em seus olhos. Ninguém precisou dizer nada, nossos olhos estavam sorrindo.

Posted in Devaneios with tags , on 29/agosto/2011 by Ernesto de Souza

Quando eu fecho os olhos, eu vejo você.

Longe? Amanhã não me preocuparei em acordar.

Posted in Poesia with tags , , , , on 28/junho/2011 by Ernesto de Souza

Eu vi quando ela passou, mesmo que não tenha levantado os olhos.

Deixei por conta do destino, apesar de nunca ter confiado nele.

O tempo passou, as pessoas passaram e eu me vi ali ao seu lado.

A música tocou e dançamos.

Mas dançamos sem se preocupar com a música.

Até que a música cessou.

E ficamos por alguns segundos olhos nos olhos.

O suficiente para uma boa noite de sono.

Mesmo preferindo aquele abraço a meus inúmeros cobertores.

Reflexo

Posted in Poesia with tags , , , , on 29/abril/2011 by Ernesto de Souza

Mantinha passos distraídos, não olhava as pessoas nos olhos, a cabeça sempre baixa e o olhar sem atenção.

Então surge a passos rápidos, o mesmo cabelo com fios dourados esvoaçantes, o mesmo olhar debaixo dos óculos, o mesmo sorriso.

Pensei que era ela, mas talvez seja apenas reflexo dos meus pensamentos.

Anjo de Cabelo Amarelo

Posted in Poesia with tags , , , , , , on 20/novembro/2010 by Ernesto de Souza

Ela estava sentada observando as estrelas, me chamou atenção mesmo com as asas escondidas.

Simpatia foi seu cartão de visitas.

Consegui pensar em outras coisas além do seu sorriso, mas aqueles livros eu nunca li.

Então o destino me colocou novamente no reflexo daqueles olhos.

Pouco a pouco suas asas foram aparecendo, mas ela nunca voou para longe.

Tive medo quando vi que suas asas não eram brancas como a neve.

Mas me entreguei, quando entendi que apesar de anjo ela está longe da perfeição.

E é para me lembrar disso que suas asas são negras, escuras como a noite.

E a noite é nossa.