Arquivo para noite

Cheiro

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , on 17/novembro/2013 by Ernesto de Souza

Adoro sentir seu cheiro com os lábios próximos a sua pele.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a sua mão, quando te convido para me acompanhar nesta dança.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a seu pescoço durante a dança.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a seu ouvido quando te convido para irmos a outro lugar.

É assim durante toda a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios percorrendo todo seu corpo.

E é assim ao fim da noite quando sinto seu cheiro com meus lábios próximo ao meu lençol.

Meu lençol não é você, mas te pertence como tudo que a em mim.

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Três horas da manhã

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 7/outubro/2013 by Ernesto de Souza

03:00 AM

Noites de sono são raridades.

Insônia X Pesadelo.

Essa noite ele dormiu, e ela veio visitá-lo, mas não veio sozinha.

Disse que estava feliz, queria ele ser a razão de sua felicidade.

Acordou, sentou na cama.

Sensação de vazio.

Colocou os óculos, olhou para o relógio.

Já algumas semanas, quando consegue dormir acorda neste mesmo horário.

Sair este horário?

A madrugada reserva monstros lá fora.

Piores que os monstros do meu espelho?

03:00 AM

Os portões do inferno estão abertos.

Deixai toda esperança ó vós que entrais.

A esperança é a única que morre.

Anjo Bêbado

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13/maio/2013 by Ernesto de Souza

O sinal tocou e o tirou da sua meditação durante a aula de “Teorias…” de alguma coisa, então recolheu seu caderno, que havia apenas rabiscos e desenhos no lugar das anotações da matéria, e saiu da sala caminhando rápido pelos corredores do campus na expectativa de não encontrar com ninguém.

Entrou no ônibus e sentou, pois a viagem era longa, se fosse curta preferiria ficar em pé durante o trajeto, olhou ao redor e havia muitas pessoas em pé, o ônibus estava lotado com exceção ao banco ao seu lado, chegou até a olhar para o chão para verificar se não havia pisado em algum vômito, confirmou que o que afastava as pessoas era apenas sua áurea negativa.

Alguns quilômetros depois o ônibus parou em um ponto e ele sentiu o cheiro azedo de álcool fermentando no estômago e depois transformado em hálito. Olhou na direção a porta e entrava um senhor idoso, moreno, com a barba branca por fazer, um gorro de lã e um olhar baixo, a conclusão de onde ele sentaria não exigiu muito esforço.

Não bastava o cansaço e a sensação de vazio que ele carregava no seu coração, o que fez entender a existência de suicidas, era necessário que um bêbado senta-se ao seu lado e puxasse conversa.

O bêbado perguntou sua data de nascimento, e ele disse o dia e o mês, mas poderia ter dito “semana que vem”, o bêbado se mostrou astrólogo e começou a recitar as qualidades do signo de gêmeos, perguntou o que ele estudava: Administração parece ser algo importante para as pessoas antigas, então o bêbado contou que o pai de seu filho Ivan (em homenagem ao imperador-herdeiro da Rússia Ivanovich, morto pelo próprio pai, o terrível) era do mesmo signo e trabalhava na mesma área: ainda havia uma esperança.

O bêbado afirmou ser músico, e disse que ensinou um amigo geminiano a tocar violão, o qual tocava bem apesar de ser mecanizado e não saber o que fazer sem ter uma partitura na sua frente, e inclusive foi este amigo que conseguiu dinheiro tocando e presenteou o bêbado com seu primeiro violão elétrico.

O bêbado o colocou em xeque ao perguntar do que gostava de fazer, e ele já considerava o bêbado um amigo, e respondeu “teatro”, e o bêbado disse ser responsável pela trilha sonora (ele era músico), de várias peças teatrais de vários teatros da cidade, inclusive do Lala.

Disse que o indicaria, pediu seu telefone, ele hesitou, mas acabou anotando em um pedaço de papel e passando ao bêbado, que logo em seguida desceu, e deve ter perdido o papel ou trocado por pinga porque nunca ninguém ligou, mas aquele anjo bêbado lhe deixou uma lição que ele jamais esquecerá: siga seus sonhos.

Posted in Devaneios with tags , , , , , , , on 1/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

Os fogos estouravam de todas as cores, por todos os lados.

Ele resolveu deitar, antes de fechar os olhos olhou para o celular que permanecia sem sinal.

Resolveu reiniciá-lo, e para sua surpresa uma sms apareceu na caixa de entrada, e por mais ironia que havia no texto, proporcionou ao menos mais uma noite de sono.

A Festa Acabou…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , on 18/julho/2011 by Ernesto de Souza

Ele caminhava por uma rua movimentada, muitas pessoas passavam por ele.

Algumas pessoas riam, ele tentava buscar na memória um motivo para sorrir.

– Apenas um, já seria suficiente…

Lembrou de um, não necessariamente que o fizesse sorrir, uma vez uma amiga disse para que quando estivesse triste olhasse para o céu.

Desacreditado arriscou um olhar, mais por impulso do que por curiosidade.

De relance viu um ponto azul no meio da noite.

Parou e voltou a olhar tentando focar a visão.

Por entre os enormes prédios cor de cimento descia um pequeno e frágil balão de aniversário azul.

Como se acabara de ser congelado pelo frio daquela noite, ele ficou ali parado com o pescoço para cima, observando o ponto azul crescer em sua direção.

Ele acompanhou cada movimento, cada rota diferente que o vento o fazia tomar, até esqueceu que todas elas levavam para o mesmo lugar: o chão.

Ele foi abaixando o pescoço e viu o pequeno balão sumir entre as pessoas que caminhavam.

– A inevitável queda…

Mas entre as pessoas ao longe o balão novamente ganha os céus.

E dança majestosamente com vento até novamente aterrissar na calçada.

Agora ele consegue ver o pequeno balão de aniversário azul descansando na calçada.

E dessa vez com o bico do sapato, um senhor idade da inicio a um novo vôo.

– Desistir jamais…

Quando belas moças sorridentes se aproximaram do ponto onde novamente o balão descançava, ele pensou que continuaria a voar, mas estava enganado.

Um estouro surdo ecoou pela rua escura.

Em meio a risadas e conversas na calçada, a morte certa.

Ele abaixou a cabeça e continuou caminhando.

A festa acabou.

Anjo de Cabelo Amarelo

Posted in Poesia with tags , , , , , , on 20/novembro/2010 by Ernesto de Souza

Ela estava sentada observando as estrelas, me chamou atenção mesmo com as asas escondidas.

Simpatia foi seu cartão de visitas.

Consegui pensar em outras coisas além do seu sorriso, mas aqueles livros eu nunca li.

Então o destino me colocou novamente no reflexo daqueles olhos.

Pouco a pouco suas asas foram aparecendo, mas ela nunca voou para longe.

Tive medo quando vi que suas asas não eram brancas como a neve.

Mas me entreguei, quando entendi que apesar de anjo ela está longe da perfeição.

E é para me lembrar disso que suas asas são negras, escuras como a noite.

E a noite é nossa.