Arquivo de morte

Três horas da manhã

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 7/outubro/2013 by Ernesto de Souza

03:00 AM

Noites de sono são raridades.

Insônia X Pesadelo.

Essa noite ele dormiu, e ela veio visitá-lo, mas não veio sozinha.

Disse que estava feliz, queria ele ser a razão de sua felicidade.

Acordou, sentou na cama.

Sensação de vazio.

Colocou os óculos, olhou para o relógio.

Já algumas semanas, quando consegue dormir acorda neste mesmo horário.

Sair este horário?

A madrugada reserva monstros lá fora.

Piores que os monstros do meu espelho?

03:00 AM

Os portões do inferno estão abertos.

Deixai toda esperança ó vós que entrais.

A esperança é a única que morre.

Stephen Kanitz citando Søren Kierkegaard

Posted in Citações with tags , , , , on 14/novembro/2012 by Ernesto de Souza

“Um homem abstraído, tão preocupado com problemas mais importantes que ele, que lentamente se esquece de que existe, de que tem valor por si só, a tal ponto que um dia ele acorda e descobre que está morto.”

A Festa Acabou…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , on 18/julho/2011 by Ernesto de Souza

Ele caminhava por uma rua movimentada, muitas pessoas passavam por ele.

Algumas pessoas riam, ele tentava buscar na memória um motivo para sorrir.

– Apenas um, já seria suficiente…

Lembrou de um, não necessariamente que o fizesse sorrir, uma vez uma amiga disse para que quando estivesse triste olhasse para o céu.

Desacreditado arriscou um olhar, mais por impulso do que por curiosidade.

De relance viu um ponto azul no meio da noite.

Parou e voltou a olhar tentando focar a visão.

Por entre os enormes prédios cor de cimento descia um pequeno e frágil balão de aniversário azul.

Como se acabara de ser congelado pelo frio daquela noite, ele ficou ali parado com o pescoço para cima, observando o ponto azul crescer em sua direção.

Ele acompanhou cada movimento, cada rota diferente que o vento o fazia tomar, até esqueceu que todas elas levavam para o mesmo lugar: o chão.

Ele foi abaixando o pescoço e viu o pequeno balão sumir entre as pessoas que caminhavam.

– A inevitável queda…

Mas entre as pessoas ao longe o balão novamente ganha os céus.

E dança majestosamente com vento até novamente aterrissar na calçada.

Agora ele consegue ver o pequeno balão de aniversário azul descansando na calçada.

E dessa vez com o bico do sapato, um senhor idade da inicio a um novo vôo.

– Desistir jamais…

Quando belas moças sorridentes se aproximaram do ponto onde novamente o balão descançava, ele pensou que continuaria a voar, mas estava enganado.

Um estouro surdo ecoou pela rua escura.

Em meio a risadas e conversas na calçada, a morte certa.

Ele abaixou a cabeça e continuou caminhando.

A festa acabou.