Arquivo para labios

Cheiro

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , on 17/novembro/2013 by Ernesto de Souza

Adoro sentir seu cheiro com os lábios próximos a sua pele.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a sua mão, quando te convido para me acompanhar nesta dança.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a seu pescoço durante a dança.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a seu ouvido quando te convido para irmos a outro lugar.

É assim durante toda a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios percorrendo todo seu corpo.

E é assim ao fim da noite quando sinto seu cheiro com meus lábios próximo ao meu lençol.

Meu lençol não é você, mas te pertence como tudo que a em mim.

Talvez pela última vez…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19/setembro/2012 by Ernesto de Souza

Ela subiu as escadas com a mesma lentidão que o dia se passou, merecia um descanso. Ligou a torneira com a mão direita, enquanto a mão esquerda salpicava sais de banho, lentamente a banheira foi se completando de água e espuma.

Encarou o espelho, no fundo de seus olhos, a última vez que se encarou assim, havia maquiagem borrada e gosto de cinzas.

Despiu-se e admirou seu corpo frente ao espelho, estava contente com ele apesar de “fora dos padrões”, um sorriso, mais uma comprovação de que ela era a exceção á regra.

Vestiu seu roupão, desceu as escadas, agora descalça não ouvia o som do seu salto alto na madeira.

Serviu uma taça de vinho pela metade, descansou a garrafa sobre o balcão, olhou ao redor e não havia louças na pia, outro sorriso, completou a taça com o líquido escarlate.

Subiu novamente as escadas, faltava apenas um detalhe, dentre sua coleção de discos escolheu um com a capa vermelha, colocou-o para tocar e enquanto o cantor balbuciava palavras tristes se despiu de seu roupão, desligou a torneira e mergulhou seu corpo todo até o pescoço dentro da banheira.

Ouviram-se passos na escada, ainda era cedo para ele estar em casa, levantou-se e vestiu seu roupão sem se secar, quando esticou o braço para parar a música a porta do banheiro foi aberta com força, um olhar desconhecido em um rosto familiar, uma arma apontada em sua direção, um estampido e uma marca rubra em seu roupão branco.

Outro mergulho, desta vez involuntário, desta vez a cabeça afunda na água, pequenas bolhas de ar saem de seu nariz, seus olhos se fecham lentamente e a escuridão toma conta.

Os olhos tentam abrir, encontram a resistência da água, instintivamente sua cabeça sai debaixo d’água, sua respiração ofegante tenta repor o oxigênio perdido.

No horário de costume ele chega e a encontra sentada na borda da banheira, com a cara de assustada, pisando em cacos de vidro e com o roupão manchado a altura do coração.

Aproxima-se dela, se abaixa e beija seus lábios frios e úmidos como se fosse a última vez que pudesse tocá-los.

Silencioso

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , on 8/abril/2012 by Ernesto de Souza

O quarto era escuro, mas era possível ver claramente seu sorriso, a luz da lua ou de alguma iluminação artificial.

Ele colocou o indicador em sua testa e correu pelo seu rosto, seus lábios, seu pescoço. Podia ouvir ao longe o eco das batidas do seu coração.

Ele envolveu seus braços naquele corpo frágil que tremia disfarçadamente, a virou e desceu junto com o zíper do vestido, subiu deslizando em suas costas, parou em seu pescoço, a desvirava sem descolar seus lábios da sua pele macia.

Ela deixou seu vestido cair no chão e se deitou, ele tirou a camisa, se aproximou, beijou sua barriga, subiu passando por entre seus seios, e novamente parou em seu pescoço.

Ela moveu as pernas, seu salto alto lhe arranhou levemente, e com as pernas o prendeu e o apertou contra seu corpo, de onde ele nunca deveria ter saído.

No Elevador

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , on 7/março/2012 by Ernesto de Souza

Ele estava sentado em frente ao seu computador, enquanto seu olhar atravessava o monitor seus dedos repousavam imóveis sobre o teclado.

Levantou-se e caminhou até o elevador, mesmo achando que seria melhor pegar o atalho do parapeito do décimo sexto andar.

A porta do elevador ia se fechando lentamente e antes de fechar por completo começou a soar o alarme de incêndio, as pessoas começaram a correr em direção as escadas enquanto o elevador descia.

Onze andares abaixo o elevador para, as portas se abrem, entre as chamas surge uma linda moça, trajando um vestido vermelho, salto alto e cigarro na boca.

Ela entra, as portas do elevador novamente se fecham, a fumaça que acabara de sair da boca dela ainda se dissipava, quando ela o encostou contra a parede e o beijou, e enquanto mordia seus lábios a dor no pescoço fez com que ele desconfiasse que ela havia apagado o cigarro.

Então o elevador despencou no vazio, e som de algo caindo e se espatifando no chão o fez abrir os olhos e olhar para traz, o prédio em chamas, um único sobrevivente, e uma única cicatriz na nuca.

O Sorriso dos Olhos.

Posted in Poesia with tags , , , , on 3/setembro/2011 by Ernesto de Souza
Ficamos sozinhos, então me aproximei e encostei minha testa na dela. Envolvi a minha mão esquerda em sua cintura e a puxei levemente para encostar seu corpo no meu. Com a mão direita, tirei seu cabelo do rosto e parei a minha mão na sua nuca, delicadamente segurando seus cabelos direcionei sua boca em direção a minha e encostei meus lábios nos seus. Suavemente com a minha língua fui abrindo espaço, procurando a sua. Com a mão esquerda apertei levemente seu quadril e depois de alguns segundos descolei nossos lábios e olhei em seus olhos. Ninguém precisou dizer nada, nossos olhos estavam sorrindo.

Posted in Devaneios with tags , , on 16/agosto/2011 by Ernesto de Souza

Ela se foi…

Mas o gosto do seu brilho labial ficou em minha boca por horas…

Seria tudo um sonho?

Posted in Poesia with tags , , , , , on 14/julho/2010 by Ernesto de Souza

E no fim estávamos apenas nós dois, sozinhos no quarto escuro, o filme ainda rodava, mas não recebia a devida atenção.

Os lábios se tocaram por horas sem que ninguém percebesse o tempo passar.

Mas ele passou, e era hora de ir.

Então aquele ritual de acender a luz se recompor e então sair do quarto, trouxe a sensação de que estávamos saindo de um sonho, não havia ninguém na rua, apenas a brisa caindo sobre o nosso abraço.

Ela insiste em dizer que o melhor de tudo isso é que não foi um sonho, que foi tudo muito real.

Me belisca para ter certeza que tudo isso realmente aconteceu?

Pois eu ainda acho que vou acordar a qualquer momento.

Posted in Devaneios with tags , , on 16/fevereiro/2010 by Ernesto de Souza

As apostas sempre foram apenas pretextos, nós dois sabíamos que a única coisa que eu queria era sentir o gosto dos seus lábios.