Arquivo de felicidade

Três horas da manhã

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 7/outubro/2013 by Ernesto de Souza

03:00 AM

Noites de sono são raridades.

Insônia X Pesadelo.

Essa noite ele dormiu, e ela veio visitá-lo, mas não veio sozinha.

Disse que estava feliz, queria ele ser a razão de sua felicidade.

Acordou, sentou na cama.

Sensação de vazio.

Colocou os óculos, olhou para o relógio.

Já algumas semanas, quando consegue dormir acorda neste mesmo horário.

Sair este horário?

A madrugada reserva monstros lá fora.

Piores que os monstros do meu espelho?

03:00 AM

Os portões do inferno estão abertos.

Deixai toda esperança ó vós que entrais.

A esperança é a única que morre.

Anjo Bêbado

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13/maio/2013 by Ernesto de Souza

O sinal tocou e o tirou da sua meditação durante a aula de “Teorias…” de alguma coisa, então recolheu seu caderno, que havia apenas rabiscos e desenhos no lugar das anotações da matéria, e saiu da sala caminhando rápido pelos corredores do campus na expectativa de não encontrar com ninguém.

Entrou no ônibus e sentou, pois a viagem era longa, se fosse curta preferiria ficar em pé durante o trajeto, olhou ao redor e havia muitas pessoas em pé, o ônibus estava lotado com exceção ao banco ao seu lado, chegou até a olhar para o chão para verificar se não havia pisado em algum vômito, confirmou que o que afastava as pessoas era apenas sua áurea negativa.

Alguns quilômetros depois o ônibus parou em um ponto e ele sentiu o cheiro azedo de álcool fermentando no estômago e depois transformado em hálito. Olhou na direção a porta e entrava um senhor idoso, moreno, com a barba branca por fazer, um gorro de lã e um olhar baixo, a conclusão de onde ele sentaria não exigiu muito esforço.

Não bastava o cansaço e a sensação de vazio que ele carregava no seu coração, o que fez entender a existência de suicidas, era necessário que um bêbado senta-se ao seu lado e puxasse conversa.

O bêbado perguntou sua data de nascimento, e ele disse o dia e o mês, mas poderia ter dito “semana que vem”, o bêbado se mostrou astrólogo e começou a recitar as qualidades do signo de gêmeos, perguntou o que ele estudava: Administração parece ser algo importante para as pessoas antigas, então o bêbado contou que o pai de seu filho Ivan (em homenagem ao imperador-herdeiro da Rússia Ivanovich, morto pelo próprio pai, o terrível) era do mesmo signo e trabalhava na mesma área: ainda havia uma esperança.

O bêbado afirmou ser músico, e disse que ensinou um amigo geminiano a tocar violão, o qual tocava bem apesar de ser mecanizado e não saber o que fazer sem ter uma partitura na sua frente, e inclusive foi este amigo que conseguiu dinheiro tocando e presenteou o bêbado com seu primeiro violão elétrico.

O bêbado o colocou em xeque ao perguntar do que gostava de fazer, e ele já considerava o bêbado um amigo, e respondeu “teatro”, e o bêbado disse ser responsável pela trilha sonora (ele era músico), de várias peças teatrais de vários teatros da cidade, inclusive do Lala.

Disse que o indicaria, pediu seu telefone, ele hesitou, mas acabou anotando em um pedaço de papel e passando ao bêbado, que logo em seguida desceu, e deve ter perdido o papel ou trocado por pinga porque nunca ninguém ligou, mas aquele anjo bêbado lhe deixou uma lição que ele jamais esquecerá: siga seus sonhos.

Os Funerais do Coelho Branco

Posted in Citações with tags , , , , , , , , , , on 19/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

E se eu disser que eu nunca sei mesmo a direção?

E se eu disser que toda vez que eu achei que ia acertar eu na verdade só arrisquei?

Você ainda ia querer?

Diz.

Eu seria ainda o que sou para você?

E se eu disser que eu nunca soube nada de minha vida, que eu sempre deixei tudo passar por mim e as vezes ia, as vezes não ia, dependendo do gosto do café.

Você ia querer?

Será que ia mesmo?

Nenê Altro

Acaso?

Posted in Poesia with tags , , , on 4/fevereiro/2010 by Ernesto de Souza

Um nome.

Uma música.

Uma pergunta.

Um “prazer em conhecer”.

Uma lanchonete fast-food? Talvez…

Dois times.

Um signo.

Uma faculdade.

Um sorriso tímido.

E um dia que terminou mais feliz do que começou.

Posted in Teatro with tags , , , , on 29/dezembro/2009 by Ernesto de Souza

ALICE: Eu vejo você, meu reflexo refletido no espelho, seus olhos estão tão tristes como os meus, será que você também não é feliz? Será que os motivos que te deixam tristes são iguais aos meus motivos?

Romeu e Julieta

Posted in Poesia with tags , , , , , , , on 18/dezembro/2009 by Ernesto de Souza

No caminho de volta, um ônibus.

No banco ao lado um casal de namorados.

Acho lindo. Mas sinto inveja, saudades do tempo em que eu conseguia ser feliz com pequenas coisas.

O menino beija a mão dela e diz que a ama.

Eu digo que o amor não existe.

A menina sorri e diz que vai amá-lo para sempre.

Eu digo que o amor só é eterno quando acaba.

Mato o Romeu e a Julieta ao meu lado e eternizo o amor deles.