Arquivo para espelho

Sentirei sua falta.

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 6/novembro/2013 by Ernesto de Souza

Sentirei sua falta quando acordar e olhar para o lado vazio da cama;

Sentirei sua falta ao não ter com quem brindar meu café pela manhã;

Sentirei sua falta quando não tiver ninguém para disputar o último bolinho;

Sentirei sua falta quando acontecer algo bom, por não ter com quem dividir;

Sentirei sua falta quando acontecer algo ruim, por não ter a quem pedir colo;

Sentirei sua falta ao poder cantar e desafinar e ninguém pedir para que eu pare;

Sentirei sua falta por deixar ás lágrimas caírem, pois ninguém as enxugará.

Sentirei sua falta.

E ao me encarar no espelho e não ver as marcas de beijos e arranhões lembrarei que as cicatrizes são internas e sentirei ainda mais sua falta.

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Três horas da manhã

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 7/outubro/2013 by Ernesto de Souza

03:00 AM

Noites de sono são raridades.

Insônia X Pesadelo.

Essa noite ele dormiu, e ela veio visitá-lo, mas não veio sozinha.

Disse que estava feliz, queria ele ser a razão de sua felicidade.

Acordou, sentou na cama.

Sensação de vazio.

Colocou os óculos, olhou para o relógio.

Já algumas semanas, quando consegue dormir acorda neste mesmo horário.

Sair este horário?

A madrugada reserva monstros lá fora.

Piores que os monstros do meu espelho?

03:00 AM

Os portões do inferno estão abertos.

Deixai toda esperança ó vós que entrais.

A esperança é a única que morre.

Posted in Devaneios with tags , , , , on 30/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

E até a vitória, terei que encarar ainda muitos demônios com o meu rosto, muitos monstros com o meu cheiro e muitos fantasmas com a minha voz.

Quebrar espelhos, autodestruir.

Minha Cúmplice, Minha Irmã, Minha Amante.

Posted in Citações with tags , , , , on 3/outubro/2012 by Ernesto de Souza

“E eu que ri quando te espiei
cantarolando em frente ao espelho
a menina mais bonita
com quem eu já feri meus ingênuos olhos provincianos.”

Jair Naves

Talvez pela última vez…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19/setembro/2012 by Ernesto de Souza

Ela subiu as escadas com a mesma lentidão que o dia se passou, merecia um descanso. Ligou a torneira com a mão direita, enquanto a mão esquerda salpicava sais de banho, lentamente a banheira foi se completando de água e espuma.

Encarou o espelho, no fundo de seus olhos, a última vez que se encarou assim, havia maquiagem borrada e gosto de cinzas.

Despiu-se e admirou seu corpo frente ao espelho, estava contente com ele apesar de “fora dos padrões”, um sorriso, mais uma comprovação de que ela era a exceção á regra.

Vestiu seu roupão, desceu as escadas, agora descalça não ouvia o som do seu salto alto na madeira.

Serviu uma taça de vinho pela metade, descansou a garrafa sobre o balcão, olhou ao redor e não havia louças na pia, outro sorriso, completou a taça com o líquido escarlate.

Subiu novamente as escadas, faltava apenas um detalhe, dentre sua coleção de discos escolheu um com a capa vermelha, colocou-o para tocar e enquanto o cantor balbuciava palavras tristes se despiu de seu roupão, desligou a torneira e mergulhou seu corpo todo até o pescoço dentro da banheira.

Ouviram-se passos na escada, ainda era cedo para ele estar em casa, levantou-se e vestiu seu roupão sem se secar, quando esticou o braço para parar a música a porta do banheiro foi aberta com força, um olhar desconhecido em um rosto familiar, uma arma apontada em sua direção, um estampido e uma marca rubra em seu roupão branco.

Outro mergulho, desta vez involuntário, desta vez a cabeça afunda na água, pequenas bolhas de ar saem de seu nariz, seus olhos se fecham lentamente e a escuridão toma conta.

Os olhos tentam abrir, encontram a resistência da água, instintivamente sua cabeça sai debaixo d’água, sua respiração ofegante tenta repor o oxigênio perdido.

No horário de costume ele chega e a encontra sentada na borda da banheira, com a cara de assustada, pisando em cacos de vidro e com o roupão manchado a altura do coração.

Aproxima-se dela, se abaixa e beija seus lábios frios e úmidos como se fosse a última vez que pudesse tocá-los.

Revólver

Posted in Poesia with tags , , , , , , on 16/abril/2012 by Ernesto de Souza

Caminhou até o gaveteiro em frente à cama, abriu a última gaveta e tirou uma pequena caixa de madeira. Colocou a caixa sobre a cama e a abriu, o interior da caixa era forrado de veludo vermelho. Tirou de lá um objeto metálico envolvido por uma flanela também vermelha.

Ele tira a flanela, acaricia aquele longo cano, segura pelo cabo e aponta para o espelho, seu reflexo aponta novamente pare ele, mirando em sua testa.

Com o polegar ele faz o tambor rolar, enquanto olha para a culatra, nenhuma câmara vazia, isso não é um jogo.

O tambor para, o cão é acionado com um estalo, agora engatilhada está pronta para o serviço. Ele a levanta e sente a boca do cano gelado na lateral de sua cabeça, o dedo acaricia o gatilho enquanto seu olhar ainda mira o reflexo no espelho.

Ele volta o cão a sua posição de origem, guarda na caixa sem embrulhar na flanela e empurra a caixa para debaixo da cama, ainda não sabe se precisará dela novamente.

Posted in Devaneios with tags , , on 3/fevereiro/2010 by Ernesto de Souza

Já não reconheço o reflexo em meu espelho.

Já não sei mais de que lado estou.

Posted in Teatro with tags , , , , on 29/dezembro/2009 by Ernesto de Souza

ALICE: Eu vejo você, meu reflexo refletido no espelho, seus olhos estão tão tristes como os meus, será que você também não é feliz? Será que os motivos que te deixam tristes são iguais aos meus motivos?