Arquivo para dor

Bárbara

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , on 13/junho/2013 by Ernesto de Souza

Por causa dela, já não faço mais barba,

Bárbara…

Em um beco da cidade, vejo uma criança brincando com uma boneca sem cabeça,

Barbie.

A frente um boteco sujo, me identifico e entro.

Bar.

Peço uma dose, em um gole só o líquido…

Acaba.

Na parede um quadro com um desenho de uma ave.

Arara.

Amigo, outra dose.

Acaba.

A cachaça, não a dor.

Acho que se seu nome fosse Bárbara,

Amor.

Você não seria tão…

Bárbara.

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O Cientista

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

Ele estava no vestiário, sentado em um banco de madeira, com as sapatilhas já calçadas, enquanto seu técnico dava as últimas instruções, ele tinha o olhar focado na parede branca a sua frente.

O filho de seu irmão mais velho enfaixava-lhe sua mão esquerda, enquanto ele estendia a mão direita já enfaixada, a palma aberta verificando se estava trêmulo, sentiu o nervosismo correr em suas veias, fechou a mão apertada, olhou para o seu punho, era sua única arma.

Calçaram-lhe as luvas, então começou a aquecer simulando golpes ao vento, quando um baixinho fumando um charuto apareceu na porta do vestiário e disse “agora”.

Vestiu por cima do seu corpo já suado um roupão vermelho de segunda mão e caminhou por entre os corredores, nas suas costas podia-se ler em letras brancas de um bordado novo: “The Scientist“, ganhou este apelido nos treinos pelo modo como ensaiava seus golpes, sabia precisamente quantos graus o cotovelo precisava se inclinar para um perfeito uppercut, ou a parábola que se formava com um cruzado, e pelos óculos de grau que usava fora dos ringues.

Caminhava entre o público que permanecia calado, a música que tocava não tinha sido escolhida para agitar o público e sim para agitar o monstro que vivia dentro dele.

Abaixou-se por entre as cordas e pisou no ringue, levantou os braços, ouviram-se alguns aplausos tímidos, então com a luva direita tocou sua testa, abdômen e ombros simulando o sinal de uma cruz.

Tirou o roupão e revelou seu calção predominante negro como a noite, a exceção era a tarja vermelha na cintura, que salientava até a onde os golpes eram permitidos.

Mas começou a tocar aquela música, a luta ainda não havia começado e ele já sentia o primeiro golpe, o frio na barriga, cerrou os dentes e respirou fundo. Os gritos histéricos e as palmas comprovaram que o dono do cinturão, o campeão mundial caminhava em direção ao ringue.

O rapaz da gravata borboleta anunciava pausadamente esticando a última sílaba de cada palavra e o público ia ao delírio, mas o microfone subiu e o outro rapaz, o das luvas brancas, fez um sinal para que ele caminhasse ao centro do ringue, foi o que ele fez, e após tocar as luvas com o campeão, a mão aberta com a luva branca passou por diante de seus olhos e ouviu-se “lutem”.

Os dois começam se estudando, mas o campeão perdeu a paciência e tentava definir a luta logo, ele conseguiu se esquivar e acertar um ou outro jab, mas que não afastava o campeão, quando ele se deu conta já estava nas cordas, e entre uma esquiva e outra, um soco lhe atinge a boca do estômago, seus joelhos dobram e ele toca o solo com a luva, o campeão se afasta e os dedos da luva se levantam um a um, estava aberta a contagem.

Ainda sentia a dor, mas conseguiu levantar a cabeça e olhar para cima, cinco dedos estavam levantados, então ficou de pé e levantou as luvas mostrando que estava apto para continuar.

O campeão veio babando como um touro, e ele se esquivou como um toureiro, mas foi sua última esquiva, seu jogo de pernas parou de funcionar, o campeão havia descoberto a fórmula secreta do cientista, e os golpes começaram a entrar por entre sua guarda, sentia-se forte o suficiente para aguentar os socos, porém fraco de mais para se esquivar deles.

Quando beijar a lona parecia ser seu destino, ouviu um estalo que significava que o round estava no fim, isto lhe deu um fôlego extra, e conseguiu acertar alguns golpes contundentes no campeão, com o cuidado de não abrir a guarda e não cair, o soar do congo indicou o fim daquele round, faltavam onze.

Sentou no banquinho em seu corner, seu treinador repetia que precisava mudar a estratégia, era a hora do plano b, então cuspiu no balde ao seu lado e se levantou, socou uma luva na outra e caminhou para o centro do ringue, não sabia como sairia dali se carregado nos braços por vencer o campeão ou se carregado nos braços, arrastado por não conseguir caminhar com as próprias pernas, só sabia de uma coisa, não iria desistir, não jogaria a toalha, só desceria dali ao final da luta, mesmo sabendo não ser fácil se manter em pé neste ringue que chamam de vida.

Posted in Devaneios with tags , , , , , , on 12/outubro/2012 by Ernesto de Souza

No fundo é só você contra você mesmo, e essa batalha eu já nasci predestinado a perder.

Posted in Devaneios with tags , , , on 11/novembro/2010 by Ernesto de Souza

O estômago ainda dói, mas já estou conseguindo olhar para cima.

Posted in Devaneios with tags , , on 2/novembro/2010 by Ernesto de Souza

Você sofreu.
Agora talvez faça sofrer.
E sim a vida é injusta.
Mas um dia ela faz sentido.
(Ainda estou esperando, mas acredito que um dia fará.)

Ser eu, será que um dia serei?

Posted in Livros with tags , , , , , , , on 31/outubro/2010 by Ernesto de Souza

Estava eu lá, conversando com as amigas que conheci na igreja. Antes a igreja era mais importante pra mim, ou tinha mais medo, não sei, agora acho que vou lá mais pelos amigos mesmo.
Ela me falava das desilusões amorosas, e eu a entendia de verdade, mas não podia dar conselhos, porque eu entedia os dois lados, porque eu já estive dos dois lados.
Antes era mais fácil, era só fechar os olhos e esperar a pancada, porque está era certa que viria. Nunca fui importante para ninguém, era mais fácil me abandonar.
Mas agora vejo o outro lado, e é bem mais difícil, antes doía e a culpa não era minha, não havia nada que eu pudesse fazer, agora dói não só em mim e a culpa é só minha.
As vezes eu respiro e tento esquecer, são pessoas importantes e eu gosto delas de verdade, mas não posso cuidar de todas ao mesmo tempo, ai não cuido de ninguém e ninguém é feliz.
Tento explicar que a amizade é mais importante, nem sempre obtenho sucesso.
As vezes penso em me afastar, mas não estarei sendo eu.
Ser eu, será que um dia serei?
Porque apesar de ter tantas pessoas especiais na minha vida, ainda me sinto aquele menino gordo, feio e rejeitado de antigamente.

A Vida é uma Escola (não que isso seja bom)

Posted in Livros, Poesia with tags , , , , on 22/setembro/2010 by Ernesto de Souza

Pequenas alegrias ao longo da vida, o recreio sempre é mais divertido, e nele esquecemos que estamos na escola para estudar e não para nos divertimos no intervalo.

Mas mesmo assim somos obrigados a assistir as aulas tediosas, agüentar os professores chatos, se segurar para não pular no pescoço daquele infeliz que taca bolinhas de papel.

Até que o sinal toca, e você corre para o pátio, hora do lanche, do recreio, do intervalo, da diversão, hora em que você vive.

Conversar sobre assuntos que você realmente se interessa, flertar com aquela menina sem se preocupar em disfarçar, ou simplesmente respirar ar puro e sentir a liberdade.

E você sabe que o sinal ira tocar novamente, e você será obrigado a voltar para sala, são apenas quinze minutos para cada quatro horas de aulas, talvez na vida seja a mesma proporção.

Você sabe que estudar é para o seu próprio bem, mesmo assim não gosta, talvez as provações da vida sejam para o nosso próprio bem.

Agora eu entendo porque estou aqui.

Posted in Devaneios with tags , , on 26/julho/2010 by Ernesto de Souza

Sabe aquele vazio?

Não era fome.

E os quilos adquiridos durante anos, foram desnecessários.

Posted in Livros with tags , , , , on 5/julho/2010 by Ernesto de Souza

Sempre me apaixono, me entrego e me atiro a precipícios.

E depois vejo que nem era tudo aquilo.

Apesar de tudo ser uma cópia, de uma cópia, de uma cópia, sempre volto a pular.

Posted in Devaneios with tags , , , on 2/julho/2010 by Ernesto de Souza

Apenas viro os copos, e vejo os litros se acumularem em cima da mesa, um obrigado as loiras geladas que sempre me consolam.