Arquivo de destino

Respire

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21/outubro/2013 by Ernesto de Souza

Respire.

Conte até dez e respire.

O ar entre nos pulmões, ar puro de verdade.

O coração aos poucos começa e descer para o peito.

Seu lugar é ai e não em minha garganta.

Os batimentos cardíacos se normalizam.

Se desligue.

Você está sozinho, mas esta não é sua caverna.

Um dia de cada vez, respire.

Consegue sentir o sangue fluindo?

Você esta vivo.

Isso não parece ser suficiente.

Espere, algo está diferente.

O ar, o ar já não é tão puro.

Os pulmões ardem, o coração volta para a garganta.

O ar está impregnado por aquele perfume.

Aquele cheiro é único.

Achei que nunca mais o sentiria tão perto.

Procurar ou se esquivar?

Não é preciso, ela caminha em sua direção.

Um abraço. Bom te ver.

Como você está?

Imóvel ele não responde.

Terra chamando.

Oi?

Onde estava?

Perdido em seus olhos.

Bobo.

Você continua linda.

Pare.

Tem coisas que não mudam.

Pois é, mas tenho que ir.

Apareça mais vezes, não deixe por conta do destino.

A gente se fala.

Posso te ligar?

Sempre.

O Cientista

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

Ele estava no vestiário, sentado em um banco de madeira, com as sapatilhas já calçadas, enquanto seu técnico dava as últimas instruções, ele tinha o olhar focado na parede branca a sua frente.

O filho de seu irmão mais velho enfaixava-lhe sua mão esquerda, enquanto ele estendia a mão direita já enfaixada, a palma aberta verificando se estava trêmulo, sentiu o nervosismo correr em suas veias, fechou a mão apertada, olhou para o seu punho, era sua única arma.

Calçaram-lhe as luvas, então começou a aquecer simulando golpes ao vento, quando um baixinho fumando um charuto apareceu na porta do vestiário e disse “agora”.

Vestiu por cima do seu corpo já suado um roupão vermelho de segunda mão e caminhou por entre os corredores, nas suas costas podia-se ler em letras brancas de um bordado novo: “The Scientist“, ganhou este apelido nos treinos pelo modo como ensaiava seus golpes, sabia precisamente quantos graus o cotovelo precisava se inclinar para um perfeito uppercut, ou a parábola que se formava com um cruzado, e pelos óculos de grau que usava fora dos ringues.

Caminhava entre o público que permanecia calado, a música que tocava não tinha sido escolhida para agitar o público e sim para agitar o monstro que vivia dentro dele.

Abaixou-se por entre as cordas e pisou no ringue, levantou os braços, ouviram-se alguns aplausos tímidos, então com a luva direita tocou sua testa, abdômen e ombros simulando o sinal de uma cruz.

Tirou o roupão e revelou seu calção predominante negro como a noite, a exceção era a tarja vermelha na cintura, que salientava até a onde os golpes eram permitidos.

Mas começou a tocar aquela música, a luta ainda não havia começado e ele já sentia o primeiro golpe, o frio na barriga, cerrou os dentes e respirou fundo. Os gritos histéricos e as palmas comprovaram que o dono do cinturão, o campeão mundial caminhava em direção ao ringue.

O rapaz da gravata borboleta anunciava pausadamente esticando a última sílaba de cada palavra e o público ia ao delírio, mas o microfone subiu e o outro rapaz, o das luvas brancas, fez um sinal para que ele caminhasse ao centro do ringue, foi o que ele fez, e após tocar as luvas com o campeão, a mão aberta com a luva branca passou por diante de seus olhos e ouviu-se “lutem”.

Os dois começam se estudando, mas o campeão perdeu a paciência e tentava definir a luta logo, ele conseguiu se esquivar e acertar um ou outro jab, mas que não afastava o campeão, quando ele se deu conta já estava nas cordas, e entre uma esquiva e outra, um soco lhe atinge a boca do estômago, seus joelhos dobram e ele toca o solo com a luva, o campeão se afasta e os dedos da luva se levantam um a um, estava aberta a contagem.

Ainda sentia a dor, mas conseguiu levantar a cabeça e olhar para cima, cinco dedos estavam levantados, então ficou de pé e levantou as luvas mostrando que estava apto para continuar.

O campeão veio babando como um touro, e ele se esquivou como um toureiro, mas foi sua última esquiva, seu jogo de pernas parou de funcionar, o campeão havia descoberto a fórmula secreta do cientista, e os golpes começaram a entrar por entre sua guarda, sentia-se forte o suficiente para aguentar os socos, porém fraco de mais para se esquivar deles.

Quando beijar a lona parecia ser seu destino, ouviu um estalo que significava que o round estava no fim, isto lhe deu um fôlego extra, e conseguiu acertar alguns golpes contundentes no campeão, com o cuidado de não abrir a guarda e não cair, o soar do congo indicou o fim daquele round, faltavam onze.

Sentou no banquinho em seu corner, seu treinador repetia que precisava mudar a estratégia, era a hora do plano b, então cuspiu no balde ao seu lado e se levantou, socou uma luva na outra e caminhou para o centro do ringue, não sabia como sairia dali se carregado nos braços por vencer o campeão ou se carregado nos braços, arrastado por não conseguir caminhar com as próprias pernas, só sabia de uma coisa, não iria desistir, não jogaria a toalha, só desceria dali ao final da luta, mesmo sabendo não ser fácil se manter em pé neste ringue que chamam de vida.

Posted in Devaneios with tags , on 13/novembro/2012 by Ernesto de Souza

Prepare-se, tenha fé e siga seu destino.

Longe? Amanhã não me preocuparei em acordar.

Posted in Poesia with tags , , , , on 28/junho/2011 by Ernesto de Souza

Eu vi quando ela passou, mesmo que não tenha levantado os olhos.

Deixei por conta do destino, apesar de nunca ter confiado nele.

O tempo passou, as pessoas passaram e eu me vi ali ao seu lado.

A música tocou e dançamos.

Mas dançamos sem se preocupar com a música.

Até que a música cessou.

E ficamos por alguns segundos olhos nos olhos.

O suficiente para uma boa noite de sono.

Mesmo preferindo aquele abraço a meus inúmeros cobertores.