Arquivo para cigarro

No Elevador

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , on 7/março/2012 by Ernesto de Souza

Ele estava sentado em frente ao seu computador, enquanto seu olhar atravessava o monitor seus dedos repousavam imóveis sobre o teclado.

Levantou-se e caminhou até o elevador, mesmo achando que seria melhor pegar o atalho do parapeito do décimo sexto andar.

A porta do elevador ia se fechando lentamente e antes de fechar por completo começou a soar o alarme de incêndio, as pessoas começaram a correr em direção as escadas enquanto o elevador descia.

Onze andares abaixo o elevador para, as portas se abrem, entre as chamas surge uma linda moça, trajando um vestido vermelho, salto alto e cigarro na boca.

Ela entra, as portas do elevador novamente se fecham, a fumaça que acabara de sair da boca dela ainda se dissipava, quando ela o encostou contra a parede e o beijou, e enquanto mordia seus lábios a dor no pescoço fez com que ele desconfiasse que ela havia apagado o cigarro.

Então o elevador despencou no vazio, e som de algo caindo e se espatifando no chão o fez abrir os olhos e olhar para traz, o prédio em chamas, um único sobrevivente, e uma única cicatriz na nuca.

Anúncios

Se eu não consegui dormir, então não pode ser um sonho…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , on 16/novembro/2011 by Ernesto de Souza

Ele estava sentado na cama, com seus pés descalços tocando o chão frio, os cotovelos apoiados nos joelhos, o cigarro em seus dedos queimava sem ser levado a boca. Na mesa a sua frente o gelo do copo derretia tornando a bebida suave de mais para aquele momento. Ao lado do copo o celular vibrava e o som da vibração sobre a madeira parcialmente destruída por cupins, era uma mórbida trilha sonora.

Abaixo do cabelo despenteado um olhar sem foco, abaixo do olhar sem foco uma boca seca, abaixo da boca seca uma camisa amassada pela tentativa de dormir algumas horas antes.

E quando o cigarro imóvel estava prestes a queimar seus dedos, a porta se abriu, a luz invadiu o quarto ofuscando temporariamente sua visão, o cigarro caiu no chão de madeira já apagado e em cinzas.

A porta se fechou, a escuridão novamente tomou conta do quarto, e quando recuperou sua visão, ele estava deitado em sua cama sendo beijado sem delicadeza, sua camisa amassada agora estava jogada no chão ao lado de um vestido que não estava ali quando ela chegou.

E aquela mistura de beijos e abraços, e o toque da sua pele clara por falta de sol, contrastando com a maciez da pele dela, aquele momento pele com pele, poderia ter passado minutos ou horas, ele nunca saberia precisar.

Ela se levantou, não se vestiu, caminhou até a mesa, pegou a garrafa com o resto da bebida e tomou em apenas um gole, devolveu a garrafa agora vazia e caminhou até a porta.

Com um sorriso tímido no rosto, ele a observava caminhar, e quando saiu do quarto deixando a porta entre aberta, ele sentiu no sangue que seu coração ligeiramente bombeava com menos velocidade que minutos atrás, a certeza de que ela voltaria.

Ela se foi…

Posted in Poesia with tags , , on 13/novembro/2011 by Ernesto de Souza

Ela se foi…

Não acredito que voltará.

Ela se foi.

O som da porta batendo ainda ecoa em meus ouvidos.

Ela se foi!

Ainda olho para a porta, não mexi nenhum músculo desde que ela foi fechada com violência.

Ela se foi?

Eu deveria ter imaginado que um dia ela iria, todas sempre se vão mais cedo ou mais tarde.

Ela se foi.

E não levou nada com ela, espero que não volte para buscar. Assim olharei para as suas coisas jogadas pelo chão de onde não ousarei mudar de lugar e direi para mim mesmo que você foi apenas comprar cigarro e logo tocará a campainha pois também não levou as chaves.

Ela se foi!

A quem estou querendo enganar?

Ela se foi…