Arquivo de beijo

Por água abaixo

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2/dezembro/2013 by Ernesto de Souza

Ainda descalça, ela caminhou até a porta.

Ainda deitado, ele a observava.

Ela parou na porta e ajeitou o vestido.

Ele levantou, caminhou até ela, aguardou ela recolocar seus sapatos de salto alto.

Agora na mesma altura se beijaram.

Agora era o apartamento dele que estava cheio de lembranças.

Caminhou por entre os cômodos, refazendo os passos dela.

Chegou ao banheiro e reparou na pia dois fios de cabelo.

O menor era escuro, e o mais longo loiro.

Abriu a torneira, lavou o rosto.

E ao abrir os olhos ainda conseguiu ver os dois fios de cabelos se entrelaçarem como seus corpos minutos antes, e descerem juntos pelo ralo.

O Cientista

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

Ele estava no vestiário, sentado em um banco de madeira, com as sapatilhas já calçadas, enquanto seu técnico dava as últimas instruções, ele tinha o olhar focado na parede branca a sua frente.

O filho de seu irmão mais velho enfaixava-lhe sua mão esquerda, enquanto ele estendia a mão direita já enfaixada, a palma aberta verificando se estava trêmulo, sentiu o nervosismo correr em suas veias, fechou a mão apertada, olhou para o seu punho, era sua única arma.

Calçaram-lhe as luvas, então começou a aquecer simulando golpes ao vento, quando um baixinho fumando um charuto apareceu na porta do vestiário e disse “agora”.

Vestiu por cima do seu corpo já suado um roupão vermelho de segunda mão e caminhou por entre os corredores, nas suas costas podia-se ler em letras brancas de um bordado novo: “The Scientist“, ganhou este apelido nos treinos pelo modo como ensaiava seus golpes, sabia precisamente quantos graus o cotovelo precisava se inclinar para um perfeito uppercut, ou a parábola que se formava com um cruzado, e pelos óculos de grau que usava fora dos ringues.

Caminhava entre o público que permanecia calado, a música que tocava não tinha sido escolhida para agitar o público e sim para agitar o monstro que vivia dentro dele.

Abaixou-se por entre as cordas e pisou no ringue, levantou os braços, ouviram-se alguns aplausos tímidos, então com a luva direita tocou sua testa, abdômen e ombros simulando o sinal de uma cruz.

Tirou o roupão e revelou seu calção predominante negro como a noite, a exceção era a tarja vermelha na cintura, que salientava até a onde os golpes eram permitidos.

Mas começou a tocar aquela música, a luta ainda não havia começado e ele já sentia o primeiro golpe, o frio na barriga, cerrou os dentes e respirou fundo. Os gritos histéricos e as palmas comprovaram que o dono do cinturão, o campeão mundial caminhava em direção ao ringue.

O rapaz da gravata borboleta anunciava pausadamente esticando a última sílaba de cada palavra e o público ia ao delírio, mas o microfone subiu e o outro rapaz, o das luvas brancas, fez um sinal para que ele caminhasse ao centro do ringue, foi o que ele fez, e após tocar as luvas com o campeão, a mão aberta com a luva branca passou por diante de seus olhos e ouviu-se “lutem”.

Os dois começam se estudando, mas o campeão perdeu a paciência e tentava definir a luta logo, ele conseguiu se esquivar e acertar um ou outro jab, mas que não afastava o campeão, quando ele se deu conta já estava nas cordas, e entre uma esquiva e outra, um soco lhe atinge a boca do estômago, seus joelhos dobram e ele toca o solo com a luva, o campeão se afasta e os dedos da luva se levantam um a um, estava aberta a contagem.

Ainda sentia a dor, mas conseguiu levantar a cabeça e olhar para cima, cinco dedos estavam levantados, então ficou de pé e levantou as luvas mostrando que estava apto para continuar.

O campeão veio babando como um touro, e ele se esquivou como um toureiro, mas foi sua última esquiva, seu jogo de pernas parou de funcionar, o campeão havia descoberto a fórmula secreta do cientista, e os golpes começaram a entrar por entre sua guarda, sentia-se forte o suficiente para aguentar os socos, porém fraco de mais para se esquivar deles.

Quando beijar a lona parecia ser seu destino, ouviu um estalo que significava que o round estava no fim, isto lhe deu um fôlego extra, e conseguiu acertar alguns golpes contundentes no campeão, com o cuidado de não abrir a guarda e não cair, o soar do congo indicou o fim daquele round, faltavam onze.

Sentou no banquinho em seu corner, seu treinador repetia que precisava mudar a estratégia, era a hora do plano b, então cuspiu no balde ao seu lado e se levantou, socou uma luva na outra e caminhou para o centro do ringue, não sabia como sairia dali se carregado nos braços por vencer o campeão ou se carregado nos braços, arrastado por não conseguir caminhar com as próprias pernas, só sabia de uma coisa, não iria desistir, não jogaria a toalha, só desceria dali ao final da luta, mesmo sabendo não ser fácil se manter em pé neste ringue que chamam de vida.

Talvez pela última vez…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19/setembro/2012 by Ernesto de Souza

Ela subiu as escadas com a mesma lentidão que o dia se passou, merecia um descanso. Ligou a torneira com a mão direita, enquanto a mão esquerda salpicava sais de banho, lentamente a banheira foi se completando de água e espuma.

Encarou o espelho, no fundo de seus olhos, a última vez que se encarou assim, havia maquiagem borrada e gosto de cinzas.

Despiu-se e admirou seu corpo frente ao espelho, estava contente com ele apesar de “fora dos padrões”, um sorriso, mais uma comprovação de que ela era a exceção á regra.

Vestiu seu roupão, desceu as escadas, agora descalça não ouvia o som do seu salto alto na madeira.

Serviu uma taça de vinho pela metade, descansou a garrafa sobre o balcão, olhou ao redor e não havia louças na pia, outro sorriso, completou a taça com o líquido escarlate.

Subiu novamente as escadas, faltava apenas um detalhe, dentre sua coleção de discos escolheu um com a capa vermelha, colocou-o para tocar e enquanto o cantor balbuciava palavras tristes se despiu de seu roupão, desligou a torneira e mergulhou seu corpo todo até o pescoço dentro da banheira.

Ouviram-se passos na escada, ainda era cedo para ele estar em casa, levantou-se e vestiu seu roupão sem se secar, quando esticou o braço para parar a música a porta do banheiro foi aberta com força, um olhar desconhecido em um rosto familiar, uma arma apontada em sua direção, um estampido e uma marca rubra em seu roupão branco.

Outro mergulho, desta vez involuntário, desta vez a cabeça afunda na água, pequenas bolhas de ar saem de seu nariz, seus olhos se fecham lentamente e a escuridão toma conta.

Os olhos tentam abrir, encontram a resistência da água, instintivamente sua cabeça sai debaixo d’água, sua respiração ofegante tenta repor o oxigênio perdido.

No horário de costume ele chega e a encontra sentada na borda da banheira, com a cara de assustada, pisando em cacos de vidro e com o roupão manchado a altura do coração.

Aproxima-se dela, se abaixa e beija seus lábios frios e úmidos como se fosse a última vez que pudesse tocá-los.

Silencioso

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , on 8/abril/2012 by Ernesto de Souza

O quarto era escuro, mas era possível ver claramente seu sorriso, a luz da lua ou de alguma iluminação artificial.

Ele colocou o indicador em sua testa e correu pelo seu rosto, seus lábios, seu pescoço. Podia ouvir ao longe o eco das batidas do seu coração.

Ele envolveu seus braços naquele corpo frágil que tremia disfarçadamente, a virou e desceu junto com o zíper do vestido, subiu deslizando em suas costas, parou em seu pescoço, a desvirava sem descolar seus lábios da sua pele macia.

Ela deixou seu vestido cair no chão e se deitou, ele tirou a camisa, se aproximou, beijou sua barriga, subiu passando por entre seus seios, e novamente parou em seu pescoço.

Ela moveu as pernas, seu salto alto lhe arranhou levemente, e com as pernas o prendeu e o apertou contra seu corpo, de onde ele nunca deveria ter saído.

No Elevador

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , on 7/março/2012 by Ernesto de Souza

Ele estava sentado em frente ao seu computador, enquanto seu olhar atravessava o monitor seus dedos repousavam imóveis sobre o teclado.

Levantou-se e caminhou até o elevador, mesmo achando que seria melhor pegar o atalho do parapeito do décimo sexto andar.

A porta do elevador ia se fechando lentamente e antes de fechar por completo começou a soar o alarme de incêndio, as pessoas começaram a correr em direção as escadas enquanto o elevador descia.

Onze andares abaixo o elevador para, as portas se abrem, entre as chamas surge uma linda moça, trajando um vestido vermelho, salto alto e cigarro na boca.

Ela entra, as portas do elevador novamente se fecham, a fumaça que acabara de sair da boca dela ainda se dissipava, quando ela o encostou contra a parede e o beijou, e enquanto mordia seus lábios a dor no pescoço fez com que ele desconfiasse que ela havia apagado o cigarro.

Então o elevador despencou no vazio, e som de algo caindo e se espatifando no chão o fez abrir os olhos e olhar para traz, o prédio em chamas, um único sobrevivente, e uma única cicatriz na nuca.

Se eu não consegui dormir, então não pode ser um sonho…

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , on 16/novembro/2011 by Ernesto de Souza

Ele estava sentado na cama, com seus pés descalços tocando o chão frio, os cotovelos apoiados nos joelhos, o cigarro em seus dedos queimava sem ser levado a boca. Na mesa a sua frente o gelo do copo derretia tornando a bebida suave de mais para aquele momento. Ao lado do copo o celular vibrava e o som da vibração sobre a madeira parcialmente destruída por cupins, era uma mórbida trilha sonora.

Abaixo do cabelo despenteado um olhar sem foco, abaixo do olhar sem foco uma boca seca, abaixo da boca seca uma camisa amassada pela tentativa de dormir algumas horas antes.

E quando o cigarro imóvel estava prestes a queimar seus dedos, a porta se abriu, a luz invadiu o quarto ofuscando temporariamente sua visão, o cigarro caiu no chão de madeira já apagado e em cinzas.

A porta se fechou, a escuridão novamente tomou conta do quarto, e quando recuperou sua visão, ele estava deitado em sua cama sendo beijado sem delicadeza, sua camisa amassada agora estava jogada no chão ao lado de um vestido que não estava ali quando ela chegou.

E aquela mistura de beijos e abraços, e o toque da sua pele clara por falta de sol, contrastando com a maciez da pele dela, aquele momento pele com pele, poderia ter passado minutos ou horas, ele nunca saberia precisar.

Ela se levantou, não se vestiu, caminhou até a mesa, pegou a garrafa com o resto da bebida e tomou em apenas um gole, devolveu a garrafa agora vazia e caminhou até a porta.

Com um sorriso tímido no rosto, ele a observava caminhar, e quando saiu do quarto deixando a porta entre aberta, ele sentiu no sangue que seu coração ligeiramente bombeava com menos velocidade que minutos atrás, a certeza de que ela voltaria.

Sempre pedirei bis…

Posted in Poesia with tags , , , on 29/setembro/2011 by Ernesto de Souza

Sou apaixonado pelo seu olhar…

Gosto tanto do seu sorriso.

Fico louco com seu cheiro.

Gosto do toque na sua pele.

Amo o sabor do seu beijo.

Gosto do seu gosto,

E as formas do seu corpo.

O que quero dizer é que…

Eu gosto de você.

O Sorriso dos Olhos.

Posted in Poesia with tags , , , , on 3/setembro/2011 by Ernesto de Souza
Ficamos sozinhos, então me aproximei e encostei minha testa na dela. Envolvi a minha mão esquerda em sua cintura e a puxei levemente para encostar seu corpo no meu. Com a mão direita, tirei seu cabelo do rosto e parei a minha mão na sua nuca, delicadamente segurando seus cabelos direcionei sua boca em direção a minha e encostei meus lábios nos seus. Suavemente com a minha língua fui abrindo espaço, procurando a sua. Com a mão esquerda apertei levemente seu quadril e depois de alguns segundos descolei nossos lábios e olhei em seus olhos. Ninguém precisou dizer nada, nossos olhos estavam sorrindo.

E se não for ela?

Posted in Filmes with tags , , , on 23/agosto/2011 by Ernesto de Souza

Versão Video:

Baseado na poesia: http://wp.me/plRlx-5n

Elenco: Bruno Alves Dias, Lana B. Ribeiro e Mariana Barabasz.

Direção/Narração: Cleyton Ernesto de Souza

Filmagem: Juliana Isabela Ferreira

Música: Pomp and Circumstance March No. IV

Posted in Devaneios with tags , , on 16/agosto/2011 by Ernesto de Souza

Ela se foi…

Mas o gosto do seu brilho labial ficou em minha boca por horas…