Archive for the Poesia Category

Por água abaixo

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2/dezembro/2013 by Ernesto de Souza

Ainda descalça, ela caminhou até a porta.

Ainda deitado, ele a observava.

Ela parou na porta e ajeitou o vestido.

Ele levantou, caminhou até ela, aguardou ela recolocar seus sapatos de salto alto.

Agora na mesma altura se beijaram.

Agora era o apartamento dele que estava cheio de lembranças.

Caminhou por entre os cômodos, refazendo os passos dela.

Chegou ao banheiro e reparou na pia dois fios de cabelo.

O menor era escuro, e o mais longo loiro.

Abriu a torneira, lavou o rosto.

E ao abrir os olhos ainda conseguiu ver os dois fios de cabelos se entrelaçarem como seus corpos minutos antes, e descerem juntos pelo ralo.

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Cheiro

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , on 17/novembro/2013 by Ernesto de Souza

Adoro sentir seu cheiro com os lábios próximos a sua pele.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a sua mão, quando te convido para me acompanhar nesta dança.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a seu pescoço durante a dança.

É assim que começa a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios próximos a seu ouvido quando te convido para irmos a outro lugar.

É assim durante toda a noite, sentindo seu cheiro com meus lábios percorrendo todo seu corpo.

E é assim ao fim da noite quando sinto seu cheiro com meus lábios próximo ao meu lençol.

Meu lençol não é você, mas te pertence como tudo que a em mim.

Sentirei sua falta.

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 6/novembro/2013 by Ernesto de Souza

Sentirei sua falta quando acordar e olhar para o lado vazio da cama;

Sentirei sua falta ao não ter com quem brindar meu café pela manhã;

Sentirei sua falta quando não tiver ninguém para disputar o último bolinho;

Sentirei sua falta quando acontecer algo bom, por não ter com quem dividir;

Sentirei sua falta quando acontecer algo ruim, por não ter a quem pedir colo;

Sentirei sua falta ao poder cantar e desafinar e ninguém pedir para que eu pare;

Sentirei sua falta por deixar ás lágrimas caírem, pois ninguém as enxugará.

Sentirei sua falta.

E ao me encarar no espelho e não ver as marcas de beijos e arranhões lembrarei que as cicatrizes são internas e sentirei ainda mais sua falta.

Respire

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21/outubro/2013 by Ernesto de Souza

Respire.

Conte até dez e respire.

O ar entre nos pulmões, ar puro de verdade.

O coração aos poucos começa e descer para o peito.

Seu lugar é ai e não em minha garganta.

Os batimentos cardíacos se normalizam.

Se desligue.

Você está sozinho, mas esta não é sua caverna.

Um dia de cada vez, respire.

Consegue sentir o sangue fluindo?

Você esta vivo.

Isso não parece ser suficiente.

Espere, algo está diferente.

O ar, o ar já não é tão puro.

Os pulmões ardem, o coração volta para a garganta.

O ar está impregnado por aquele perfume.

Aquele cheiro é único.

Achei que nunca mais o sentiria tão perto.

Procurar ou se esquivar?

Não é preciso, ela caminha em sua direção.

Um abraço. Bom te ver.

Como você está?

Imóvel ele não responde.

Terra chamando.

Oi?

Onde estava?

Perdido em seus olhos.

Bobo.

Você continua linda.

Pare.

Tem coisas que não mudam.

Pois é, mas tenho que ir.

Apareça mais vezes, não deixe por conta do destino.

A gente se fala.

Posso te ligar?

Sempre.

Três horas da manhã

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 7/outubro/2013 by Ernesto de Souza

03:00 AM

Noites de sono são raridades.

Insônia X Pesadelo.

Essa noite ele dormiu, e ela veio visitá-lo, mas não veio sozinha.

Disse que estava feliz, queria ele ser a razão de sua felicidade.

Acordou, sentou na cama.

Sensação de vazio.

Colocou os óculos, olhou para o relógio.

Já algumas semanas, quando consegue dormir acorda neste mesmo horário.

Sair este horário?

A madrugada reserva monstros lá fora.

Piores que os monstros do meu espelho?

03:00 AM

Os portões do inferno estão abertos.

Deixai toda esperança ó vós que entrais.

A esperança é a única que morre.

Jumanji

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20/setembro/2013 by Ernesto de Souza

A música era boa, mas não vencia o volume dos risos das pessoas que queriam aparecer.

Jogue os dados.

Por entre as pessoas um par de olhos ilumina o caminho, ao lado uma cadeira vazia.

Avance cinco casas.

Sentou, pediu uma bebida.

Avance uma casa.

Aproximou-se e elogiou sua beleza, ela sorriu balançando a cabeça negativamente.

Volte duas casas.

Assopre os dados antes de jogar.

Se me conceder está dança te pago uma bebida. Não é chantagem, é proposta.

Avance três casas.

Durante a dança, sussurrou no ouvido dela o desejo de beijá-la.

Antes de responder a música acabou, trocaram de par.

Passe a vez.

Tentou não perdê-lá de vista por entre os casais rodando.

Volte duas casas.

Voltou para o balcão do bar, onde as bebidas esperavam.

Dado viciado.

Ela voltou, mas não sentou. Disse estar de saída, levou com ela a bebida.

Perde tudo.

Ele observa em cima do balcão, um guardanapo com um telefone.

Continue…

Bárbara

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , on 13/junho/2013 by Ernesto de Souza

Por causa dela, já não faço mais barba,

Bárbara…

Em um beco da cidade, vejo uma criança brincando com uma boneca sem cabeça,

Barbie.

A frente um boteco sujo, me identifico e entro.

Bar.

Peço uma dose, em um gole só o líquido…

Acaba.

Na parede um quadro com um desenho de uma ave.

Arara.

Amigo, outra dose.

Acaba.

A cachaça, não a dor.

Acho que se seu nome fosse Bárbara,

Amor.

Você não seria tão…

Bárbara.

Anjo Bêbado

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13/maio/2013 by Ernesto de Souza

O sinal tocou e o tirou da sua meditação durante a aula de “Teorias…” de alguma coisa, então recolheu seu caderno, que havia apenas rabiscos e desenhos no lugar das anotações da matéria, e saiu da sala caminhando rápido pelos corredores do campus na expectativa de não encontrar com ninguém.

Entrou no ônibus e sentou, pois a viagem era longa, se fosse curta preferiria ficar em pé durante o trajeto, olhou ao redor e havia muitas pessoas em pé, o ônibus estava lotado com exceção ao banco ao seu lado, chegou até a olhar para o chão para verificar se não havia pisado em algum vômito, confirmou que o que afastava as pessoas era apenas sua áurea negativa.

Alguns quilômetros depois o ônibus parou em um ponto e ele sentiu o cheiro azedo de álcool fermentando no estômago e depois transformado em hálito. Olhou na direção a porta e entrava um senhor idoso, moreno, com a barba branca por fazer, um gorro de lã e um olhar baixo, a conclusão de onde ele sentaria não exigiu muito esforço.

Não bastava o cansaço e a sensação de vazio que ele carregava no seu coração, o que fez entender a existência de suicidas, era necessário que um bêbado senta-se ao seu lado e puxasse conversa.

O bêbado perguntou sua data de nascimento, e ele disse o dia e o mês, mas poderia ter dito “semana que vem”, o bêbado se mostrou astrólogo e começou a recitar as qualidades do signo de gêmeos, perguntou o que ele estudava: Administração parece ser algo importante para as pessoas antigas, então o bêbado contou que o pai de seu filho Ivan (em homenagem ao imperador-herdeiro da Rússia Ivanovich, morto pelo próprio pai, o terrível) era do mesmo signo e trabalhava na mesma área: ainda havia uma esperança.

O bêbado afirmou ser músico, e disse que ensinou um amigo geminiano a tocar violão, o qual tocava bem apesar de ser mecanizado e não saber o que fazer sem ter uma partitura na sua frente, e inclusive foi este amigo que conseguiu dinheiro tocando e presenteou o bêbado com seu primeiro violão elétrico.

O bêbado o colocou em xeque ao perguntar do que gostava de fazer, e ele já considerava o bêbado um amigo, e respondeu “teatro”, e o bêbado disse ser responsável pela trilha sonora (ele era músico), de várias peças teatrais de vários teatros da cidade, inclusive do Lala.

Disse que o indicaria, pediu seu telefone, ele hesitou, mas acabou anotando em um pedaço de papel e passando ao bêbado, que logo em seguida desceu, e deve ter perdido o papel ou trocado por pinga porque nunca ninguém ligou, mas aquele anjo bêbado lhe deixou uma lição que ele jamais esquecerá: siga seus sonhos.

O Cientista

Posted in Poesia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/janeiro/2013 by Ernesto de Souza

Ele estava no vestiário, sentado em um banco de madeira, com as sapatilhas já calçadas, enquanto seu técnico dava as últimas instruções, ele tinha o olhar focado na parede branca a sua frente.

O filho de seu irmão mais velho enfaixava-lhe sua mão esquerda, enquanto ele estendia a mão direita já enfaixada, a palma aberta verificando se estava trêmulo, sentiu o nervosismo correr em suas veias, fechou a mão apertada, olhou para o seu punho, era sua única arma.

Calçaram-lhe as luvas, então começou a aquecer simulando golpes ao vento, quando um baixinho fumando um charuto apareceu na porta do vestiário e disse “agora”.

Vestiu por cima do seu corpo já suado um roupão vermelho de segunda mão e caminhou por entre os corredores, nas suas costas podia-se ler em letras brancas de um bordado novo: “The Scientist“, ganhou este apelido nos treinos pelo modo como ensaiava seus golpes, sabia precisamente quantos graus o cotovelo precisava se inclinar para um perfeito uppercut, ou a parábola que se formava com um cruzado, e pelos óculos de grau que usava fora dos ringues.

Caminhava entre o público que permanecia calado, a música que tocava não tinha sido escolhida para agitar o público e sim para agitar o monstro que vivia dentro dele.

Abaixou-se por entre as cordas e pisou no ringue, levantou os braços, ouviram-se alguns aplausos tímidos, então com a luva direita tocou sua testa, abdômen e ombros simulando o sinal de uma cruz.

Tirou o roupão e revelou seu calção predominante negro como a noite, a exceção era a tarja vermelha na cintura, que salientava até a onde os golpes eram permitidos.

Mas começou a tocar aquela música, a luta ainda não havia começado e ele já sentia o primeiro golpe, o frio na barriga, cerrou os dentes e respirou fundo. Os gritos histéricos e as palmas comprovaram que o dono do cinturão, o campeão mundial caminhava em direção ao ringue.

O rapaz da gravata borboleta anunciava pausadamente esticando a última sílaba de cada palavra e o público ia ao delírio, mas o microfone subiu e o outro rapaz, o das luvas brancas, fez um sinal para que ele caminhasse ao centro do ringue, foi o que ele fez, e após tocar as luvas com o campeão, a mão aberta com a luva branca passou por diante de seus olhos e ouviu-se “lutem”.

Os dois começam se estudando, mas o campeão perdeu a paciência e tentava definir a luta logo, ele conseguiu se esquivar e acertar um ou outro jab, mas que não afastava o campeão, quando ele se deu conta já estava nas cordas, e entre uma esquiva e outra, um soco lhe atinge a boca do estômago, seus joelhos dobram e ele toca o solo com a luva, o campeão se afasta e os dedos da luva se levantam um a um, estava aberta a contagem.

Ainda sentia a dor, mas conseguiu levantar a cabeça e olhar para cima, cinco dedos estavam levantados, então ficou de pé e levantou as luvas mostrando que estava apto para continuar.

O campeão veio babando como um touro, e ele se esquivou como um toureiro, mas foi sua última esquiva, seu jogo de pernas parou de funcionar, o campeão havia descoberto a fórmula secreta do cientista, e os golpes começaram a entrar por entre sua guarda, sentia-se forte o suficiente para aguentar os socos, porém fraco de mais para se esquivar deles.

Quando beijar a lona parecia ser seu destino, ouviu um estalo que significava que o round estava no fim, isto lhe deu um fôlego extra, e conseguiu acertar alguns golpes contundentes no campeão, com o cuidado de não abrir a guarda e não cair, o soar do congo indicou o fim daquele round, faltavam onze.

Sentou no banquinho em seu corner, seu treinador repetia que precisava mudar a estratégia, era a hora do plano b, então cuspiu no balde ao seu lado e se levantou, socou uma luva na outra e caminhou para o centro do ringue, não sabia como sairia dali se carregado nos braços por vencer o campeão ou se carregado nos braços, arrastado por não conseguir caminhar com as próprias pernas, só sabia de uma coisa, não iria desistir, não jogaria a toalha, só desceria dali ao final da luta, mesmo sabendo não ser fácil se manter em pé neste ringue que chamam de vida.

Mas juro, pensei que cair duraria mais…

Posted in Poesia with tags , , , , on 5/dezembro/2012 by Ernesto de Souza

No fundo da gaveta de meias, tenho guardado uma injeção de ânimo.

Guardava para o fundo do poço, mas quando cheguei lá, tive a comprovação que nada é tão ruim, tudo sempre pode piorar.

Então não me importaria se ela estivesse disposta a compartilhar a agulha.