Anjo Bêbado

Postado em Poesia com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 13/maio/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

O sinal tocou e o tirou da sua meditação durante a aula de “Teorias…” de alguma coisa, então recolheu seu caderno, que havia apenas rabiscos e desenhos no lugar das anotações da matéria, e saiu da sala caminhando rápido pelos corredores do campus na expectativa de não encontrar com ninguém.

Entrou no ônibus e sentou, pois a viagem era longa, se fosse curta preferiria ficar em pé durante o trajeto, olhou ao redor e havia muitas pessoas em pé, o ônibus estava lotado com exceção ao banco ao seu lado, chegou até a olhar para o chão para verificar se não havia pisado em algum vômito, confirmou que o que afastava as pessoas era apenas sua áurea negativa.

Alguns quilômetros depois o ônibus parou em um ponto e ele sentiu o cheiro azedo de álcool fermentando no estômago e depois transformado em hálito. Olhou na direção a porta e entrava um senhor idoso, moreno, com a barba branca por fazer, um gorro de lã e um olhar baixo, a conclusão de onde ele sentaria não exigiu muito esforço.

Não bastava o cansaço e a sensação de vazio que ele carregava no seu coração, o que fez entender a existência de suicidas, era necessário que um bêbado senta-se ao seu lado e puxasse conversa.

O bêbado perguntou sua data de nascimento, e ele disse o dia e o mês, mas poderia ter dito “semana que vem”, o bêbado se mostrou astrólogo e começou a recitar as qualidades do signo de gêmeos, perguntou o que ele estudava: Administração parece ser algo importante para as pessoas antigas, então o bêbado contou que o pai de seu filho Ivan (em homenagem ao imperador-herdeiro da Rússia Ivanovich, morto pelo próprio pai, o terrível) era do mesmo signo e trabalhava na mesma área: ainda havia uma esperança.

O bêbado afirmou ser músico, e disse que ensinou um amigo geminiano a tocar violão, o qual tocava bem apesar de ser mecanizado e não saber o que fazer sem ter uma partitura na sua frente, e inclusive foi este amigo que conseguiu dinheiro tocando e presenteou o bêbado com seu primeiro violão elétrico.

O bêbado o colocou em xeque ao perguntar do que gostava de fazer, e ele já considerava o bêbado um amigo, e respondeu “teatro”, e o bêbado disse ser responsável pela trilha sonora (ele era músico), de várias peças teatrais de vários teatros da cidade, inclusive do Lala.

Disse que o indicaria, pediu seu telefone, ele hesitou, mas acabou anotando em um pedaço de papel e passando ao bêbado, que logo em seguida desceu, e deve ter perdido o papel ou trocado por pinga porque nunca ninguém ligou, mas aquele bêbado lhe deixou uma lição que ele jamais esquecerá: siga seus sonhos.

Pôr do Sol depois do Jardim Botânico

Postado em Fotos com as tags , , , , , , , , em 29/abril/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

2013-04-28 17.30.22

Foto: Caminhada rumo ao Shopping Estação depois de uma tarde relax no Jardim Botânico, Curitiba-PR

Por: Cleyton Ernesto

Postado em Devaneios em 22/fevereiro/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

Coroa significa SIM, cara significa NÃO.

E assim ela roda pelos céus, e cai na palma de sua mão, várias e várias vezes.

Como se uma moeda fosse resolver seus problemas.

A Metamorfose – Chuang Tzu

Postado em Citações com as tags , , , , , em 18/fevereiro/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

A Natureza é mais forte
Do que todas as cordas e elos.
Sempre foi assim.
Onde está uma razão
Para desanimar?

Chuang Tzu

Postado em Devaneios em 5/fevereiro/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

O imprevisto acontece e alguém te encontra. E te reecontra. Te reinventa. Te reencanta. Te recomeça.

Gabito Nunes

Postado em Devaneios com as tags , , , , em 30/janeiro/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

E até a vitória, terei que encarar ainda muitos demônios com o meu rosto, muitos monstros com o meu cheiro e muitos fantasmas com a minha voz.

Quebrar espelhos, autodestruir.

O Cientista

Postado em Poesia com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 26/janeiro/2013 por Cleyton Ernesto de Souza

Ele estava no vestiário, sentado em um banco de madeira, com as sapatilhas já calçadas, enquanto seu técnico dava as últimas instruções, ele tinha o olhar focado na parede branca a sua frente.

O filho de seu irmão mais velho enfaixava-lhe sua mão esquerda, enquanto ele estendia a mão direita já enfaixada, a palma aberta verificando se estava trêmulo, sentiu o nervosismo correr em suas veias, fechou a mão apertada, olhou para o seu punho, era sua única arma.

Calçaram-lhe as luvas, então começou a aquecer simulando golpes ao vento, quando um baixinho fumando um charuto apareceu na porta do vestiário e disse “agora”.

Vestiu por cima do seu corpo já suado um roupão vermelho de segunda mão e caminhou por entre os corredores, nas suas costas podia-se ler em letras brancas de um bordado novo: “The Scientist“, ganhou este apelido nos treinos pelo modo como ensaiava seus golpes, sabia precisamente quantos graus o cotovelo precisava se inclinar para um perfeito uppercut, ou a parábola que se formava com um cruzado, e pelos óculos de grau que usava fora dos ringues.

Caminhava entre o público que permanecia calado, a música que tocava não tinha sido escolhida para agitar o público e sim para agitar o monstro que vivia dentro dele.

Abaixou-se por entre as cordas e pisou no ringue, levantou os braços, ouviram-se alguns aplausos tímidos, então com a luva direita tocou sua testa, abdômen e ombros simulando o sinal de uma cruz.

Tirou o roupão e revelou seu calção predominante negro como a noite, a exceção era a tarja vermelha na cintura, que salientava até a onde os golpes eram permitidos.

Mas começou a tocar aquela música, a luta ainda não havia começado e ele já sentia o primeiro golpe, o frio na barriga, cerrou os dentes e respirou fundo. Os gritos histéricos e as palmas comprovaram que o dono do cinturão, o campeão mundial caminhava em direção ao ringue.

O rapaz da gravata borboleta anunciava pausadamente esticando a última sílaba de cada palavra e o público ia ao delírio, mas o microfone subiu e o outro rapaz, o das luvas brancas, fez um sinal para que ele caminhasse ao centro do ringue, foi o que ele fez, e após tocar as luvas com o campeão, a mão aberta com a luva branca passou por diante de seus olhos e ouviu-se “lutem”.

Os dois começam se estudando, mas o campeão perdeu a paciência e tentava definir a luta logo, ele conseguiu se esquivar e acertar um ou outro jab, mas que não afastava o campeão, quando ele se deu conta já estava nas cordas, e entre uma esquiva e outra, um soco lhe atinge a boca do estômago, seus joelhos dobram e ele toca o solo com a luva, o campeão se afasta e os dedos da luva se levantam um a um, estava aberta a contagem.

Ainda sentia a dor, mas conseguiu levantar a cabeça e olhar para cima, cinco dedos estavam levantados, então ficou de pé e levantou as luvas mostrando que estava apto para continuar.

O campeão veio babando como um touro, e ele se esquivou como um toureiro, mas foi sua última esquiva, seu jogo de pernas parou de funcionar, o campeão havia descoberto a fórmula secreta do cientista, e os golpes começaram a entrar por entre sua guarda, sentia-se forte o suficiente para aguentar os socos, porém fraco de mais para se esquivar deles.

Quando beijar a lona parecia ser seu destino, ouviu um estalo que significava que o round estava no fim, isto lhe deu um fôlego extra, e conseguiu acertar alguns golpes contundentes no campeão, com o cuidado de não abrir a guarda e não cair, o soar do congo indicou o fim daquele round, faltavam onze.

Sentou no banquinho em seu corner, seu treinador repetia que precisava mudar a estratégia, era a hora do plano b, então cuspiu no balde ao seu lado e se levantou, socou uma luva na outra e caminhou para o centro do ringue, não sabia como sairia dali se carregado nos braços por vencer o campeão ou se carregado nos braços, arrastado por não conseguir caminhar com as próprias pernas, só sabia de uma coisa, não iria desistir, não jogaria a toalha, só desceria dali ao final da luta, mesmo sabendo não ser fácil se manter em pé neste ringue que chamam de vida.

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